Vitória tem quatro vezes a renda
per capita do país
Abdo Filho
afilho@redegazeta.com.br
Vitória ganhou destaque ontem no cenário nacional com dois excelentes
indicativos de desenvolvimento econômico: a renda per capita da cidade é maior
que o quádruplo da renda média brasileira; Vitória também ficou em 19º
lugar entre as mais ricas do país, com um PIB nn total de R$ 15,018 bilhões.
Os números regionais do Produto Interno Bruto (PIB) referem-se ao ano de 2005 e
foram apresentados ontem pelo IBGE. Vitória já lidera, desde 2004, a lista
nacional de capitais com maior PIB per capita. Foram R$ 47.936 em 2005 para a
cidade capixaba contra R$ 11.658 de média nacional.
Em 2005, a vantagem de Vitória sobre Brasília, a 2ª com maior renda per
capita, aumentou. A capital capixaba, há cinco anos, tinha uma renda per capita
de R$ 25.522. Já Brasília, R$ 34.510. No ranking do PIB per capita, Vitória
fica com a 47ª colocação.
A gerente de Contas Regionais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Carla
D‘Angelo Moulin, explicou o motivo de uma renda tão alta. "Vitória tem
uma produção industrial e de serviços muito boa, e uma população
relativamente pequena. Quando a gente divide um PIB grande por uma população
pequena o resultado é alto. Além disso a economia do Espírito Santo está em
pleno desenvolvimento e Vitória é a sede da máquina pública estadual, o que
também movimenta muito dinheiro e exige a oferta de serviços", explicou a
economista.
O prefeito de Vitória, João Coser (PT), comemorou o resultado, mas destacou
que é preciso diminuir as desigualdades. "Os números são extremamente
positivos. Agora, o nosso desafio é usar essa riqueza como instrumento para a
distribuição de renda. Nós precisamos de oferecer mais educação, qualificação
e infra-estrutura", enumerou o prefeito.
Coser concorda com os especialistas que defendem a descentralização da
economia. "Não podemos ser uma ilha de prosperidade ladeada por
pobreza".
Anchieta na frente
Vitória possui a maior renda per capita entre as capitais do Brasil, mas não
tem a maior do Espírito Santo. Anchieta, com um PIB per capita de R$ 62.196,
desbanca a capital. A cidade do Sul tem a 30ª melhor renda do Brasil. O outro
município capixaba que figura nesse ranking nacional é Aracruz, que com uma
renda per capita de R$ 32.894 fica na 90ª colocação.
Na outra ponta, estão as piores rendas do Estado: Ponto Belo (R$ 4.068), Apiacá
(R$ 4.149) e Laranja da Terra (R$ 4.299).
- PIB O Produto Interno Bruto representa a soma (em
valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos em uma
região (países, Estados, cidades), durante um período determinado (mês,
trimestre, ano, etc). O PIB per capita é a divisão do conjunto de
riquezas, bens e serviços pelo número de moradores.
Concentração de renda subiu
Rio de Janeiro
Como o PIB dos municípios é a repartição do PIB do país, as mudanças
metodológicas do IBGE nas contas nacionais mexeram nos resultados das
cidades, revelando maior concentração da produção de bens e serviços.
A principal alteração foi na contabilização dos dados do setor de serviços,
com informações mais precisas especialmente nas áreas de administração
pública e de atividades financeiras. Com isso, o peso do PIB do setor de
serviços subiu de 55,7% na antiga metodologia para 66,3% na atual.
Pela antiga metodologia, dez cidades abocanhavam 25% do PIB; na nova, são
cinco cidades. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo
Horizonte responderam por um quarto do PIB nacional em 2005. Os serviços
ganharam, mas Indústria e agropecuária perderam, reduzindo a participação
de cidades tipicamente industriais.
"Só a mudança do peso dos serviços já explica a maior parte das
alterações nos resultados", disse Sheila Zani, do IBGE.
Em que isso afeta a sua vida
César Gomes é economista
"O crescimento do PIB das cidades é incontestável e, sem dúvida, é
muito bom para toda a sociedade capixaba. Entretanto, eu vejo com muita
preocupação a concentração de riqueza na Região Metropolitana de Vitória.
Entre os cinco municípios com maior PIB, quatro estão na Grande Vitória.
É preciso descentralizar a economia capixaba urgentemente. Hoje, o Espírito
Santo é a Região Metropolitana e o ‘resto’. Todas as regiões precisam
ser, efetivamente, integradas ao desenvolvimento que está em vigência,
para uma geração menos desigual de empregos e renda. Essa é uma hora
oportuna para que o mercado comece a buscar novas regiões, com isso teremos
uma economia mais harmônica. Assim como foi feito em São Paulo, nós
precisamos interiorizar o poder econômico. Hoje o interior paulista é o
segundo pólo de consumo do Brasil, só perde para a Grande São Paulo. Além
disso, é preciso destacar que faltam investimentos sociais e em
infra-estrutura. No Espírito Santo ainda não tivemos o que chamamos de
efeito compensatório do desenvolvimento, ou seja, o investimento nas regiões
mais atrasadas ainda é pequeno. Se não acelerarmos, vamos ficar para trás,
ainda mais com a chegada do petróleo, que também tem a característica de
concentrar riqueza".
Cidades
Posição ocupada PIB em R$ (em 1.000)
São Paulo (São Paulo)
1º 263.177.148
Rio de Janeiro (Rio de janeiro)
2º 118.979.752
Brasília (Distrito Federal)
3º 80.516.682
Curitiba (Paraná)
4º 29.821.203
Belo Horizonte (Minas Gerais)
5º 28.386.694
Porto Alegre (Rio Grande do Sul)
6º 27.977.351
Manaus (Amazonas)
7º 27.214.213
Barueri (São Paulo)
8º 22.430.475
Salvador (Bahia)
9º 22.145.303
Guarulhos (São Paulo)
10º 21.615.314
Campinas (São Paulo)
11º 20.620.766
Fortaleza (Ceará)
12º 19.734.557
Vitória (Espírito Santo)
19º 15.018.802
Betim (Minas Gerais)
20º 14 447 525
Serra (Espírito Santo)
37º 6.967.214
Vila Velha (Espírito Santo)
81º 3.790.061
Cascavel (Paraná)
100º 2.914.239
Cidades
Posição ocupada PIB per capita (em R$)
Cascalho Rico (Minas Gerais)
1º 289.838
Araporã (Minas Gerais)
2º 223.027
São Francisco do Conde (Bahia)
3º 211.601
Triunfo (Rio Grande do Sul)
4º 193.347
Porto Real (Rio de Janeiro)
5º 174.695
Fronteira (Minas Gerais)
6º 106.503
Paulínia (São Paulo)
7º 106.082
Ouroeste (São Paulo)
8º 103.398
Alto Taquari (Mato Grosso)
9º 100.601
Santo Antônio do Leste (Mato Grosso)
10º 96.843
Jaguariúna (São Paulo)
14º 89.596
Anchieta (Espírito Santo)
30º 62.196
Vitória (Espírito Santo)
47º 47.936
Macaé (Rio de Janeiro)
76º 36.000
Brasília (Distrito Federal)
83º 34.510
Aracruz (Espírito Santo)
90º 33.921
Pirajuba (Minas Gerais)
100º 31.372
Cidades
Posição ocupada valor adicionado bruto (em R$ 1.000)
Campo Verde (Mato Grosso)
1º 735.118
São Desidério (Bahia)
2º 559.299
Sapezal (Mato Grosso)
3º 558.529
Primavera do Leste (Mato
4º 466.430
Diamantino/MT
5º 445.634
Campo Novo do Parecis (Mato Grosso)
6º 374.340
Uberaba (Minas Gerais)
7º 371.776
Barreiras (Bahia)
8º 366.324
Cristalina (Goiás)
9º 359.871
Conceição da Barra (Espírito Santo)
23º 227.686
Montanha (Espírito Santo)
26º 212.732
Aracruz (Espírito Santo)
28º 202.434
Pinheiros (Espírito Santo)
29º 195.679
São Mateus (Espírito Santo)
32º 181.258
Linhares (Espírito Santo)
42º 161.481
Santa Maria de Jetibá (Espírito Santo)
43º 159.849
Jaguaré (Espírito Santo)
67º 123.759
Sooretama (Espírito Santo)
96º 107.685
Mucuri (Bahia)
100º 105.260
Cidades
Posição ocupada Valor adicionado bruto em R$ (em 1.000)
São Paulo (São Paulo)
1º 165.021.435
Rio de Janeiro (Rio de Janeiro)
2º 77.666.123
Brasília (Distrito Federal)
3º 65.732.732
Porto Alegre (Rio Grande do Sul)
4º 19.889.809
Belo Horizonte (Minas Gerais)
5º 19.363.306
Curitiba (Pará)
6º 18.799.112
Salvador (Bahia)
7º 14.757.306
Barueri (São Paulo)
8º 13.779.894
Fortaleza (Ceará)
9º 13.767.383
Campinas (São Paulo)
10º 12.168.215
Goiânia (Goiás)
16º 9.253.907
São Bernardo do Campo (São Paulo)
17º 8.411.215
Belém (Pará)
18º 7.666.653
Vitória (Espírito Santo)
19º 7.488.302
Ribeirão Preto (São Paulo)
20º 7.199.050
Serra (Espírito Santo)
58º 2.788.210
Vila Velha (Espírito Santo)
71º 2.101.136
Macaé (Rio de Janeiro)
72º 2.089.172
Foz do Iguaçu (Paraná)
100º 1.541.361
Projetos no Sul ajudam a reduzir desigualdades
- Para resolver o problema da concentração de riquezas
a economista Carla D‘Angelo Moulin explica que é preciso haver uma
desconcentração industrial, mais investimento nas regiões de economia
mais frágil e o fortalecimento da agropecuária. "O que está
acontecendo no Espírito Santo, com a ida de indústrias para o Sul, é
muito salutar", exemplifica.