A
criação de dois novos pólos de desenvolvimento no Estado, um
em Anchieta (Sul) e outro entre Colatina e João Neiva (Norte),
vai resolver um problema que o Estado combate há tempos -
descentralizar os investimentos da Região Metropolitana -, mas
pode criar um outro: a falta de estrutura viária e aeroportuária
para escoar a produção crescente.
No papel, o Estado já vem pensando no que pode ser feito,
inclusive com a composição de um novo mapa viário para o
Estado, que prevê investimentos de R$ 7,8 bilhões em novas
estradas.
O Plano de Desenvolvimento Espírito Santo 2025, que orienta a
descentralização do desenvolvimento econômico do Estado, prevê
a interligação dos municípios capixabas entre eles e com
outros Estados até 2020. Os recursos viriam dos governos
federal, do Espírito Santo e de Minas Gerais.
Mas só rodovias não bastam. No conjunto de projetos, também
estão contempladas também as áreas portuária, ferroviária,
aeroportuária e de gás natural. "Temos boas perspectivas
da implantação de grandes projetos industriais no Estado e
precisamos desenvolver nossa estrutura de logística para
atender à demanda futura", destaca o secretário estadual
de Economia e Planejamento, José Eduardo Azevedo.
Projetos. A criação dos pólos é importante para a economia
do Estado, mas é preciso cuidado e planejamento detalhado da
infra-estrutura para evitar problemas a repetição como os
verificados na década de 70, lembra Azevedo. Não custa lembrar
que os bairros da periferia, principalmente em Vitória,
Cariacica, Vila Velha e Serra, surgiram em locais sem
infra-estrutura, formado por pessoas de outros Estados, que
foram atraídos pelos grandes projetos industriais da época.
Dos 11 projetos estruturantes previstos na área de logística,
quatro são de rodovias, que contribuirão para ampliar
melhorar, ampliar e consolidar a malha rodoviária no território
do Espírito Santo e nas ligações com outros Estados. Um deles
é a tão reivindicada duplicação da BR 101. A estrada ficou
de fora do primeiro leilão de rodovias que o governo federal
fará -são sete trechos que terão pedágio no país -, mas sua
duplicação já está em estudos.
Barra do Riacho e Vitória são os portos que estão nos
projetor prioritários. O Porto de Vitória precisa ser
reestruturado e ampliado e Barra do Riacho, implantado. Na área
ferroviária, a construção da Ferrovia Litorânea Sul, que será
iniciada no próximo ano e a ampliação do Corredor
Centro-Leste.
A conclusão da implantação do Gasoduto Sudeste Nordeste
(Gasene) para ampliar a malha dentro do Espírito Santo e fazer
a interligação com outros Estados, é a prioridade na área de
petróleo e gás. A ampliação modernização do Aeroporto
Eurico Salles, em Vitória, também é prioridade na logística
do ES 2025.
Os 11 projetos
Porto de Barra do Riacho
É uma alternativa portuária fundamental para o desenvolvimento
do Estado. Possibilitará a redução da evasão de cargas para
outros Estados e a consolidação do Estado como provedor de
serviços logísticos de apoio à cabotagem.
Eixo Longitudinal Litorâneo Norte Sul
Duplicação e adequação da BR 101 entre o Rio de Janeiro até
a divisa com a Bahia, implantando os contornos das cidades para
melhorar o escoamento de cargas.
Eixo Longitudinal Interno Norte Sul
Projeto de infra-estrutura viária localizado na parte
longitudinal interior do Estado, para aumentar a integração
das regiões interiores, criando-se uma alternativa de
deslocamento norte-sul à BR 101. São três rodovias: Sul
Caparaó, Noroeste e Norte.
Eixos Transversais
Projeto de infra-estrutura viária composto por seis rotas
transversais ao território do Estado. Vai aumentar a integração
das regiões interiores do Estado em especial ao complexo portuário
capixaba, com ligações transversais ao eixo da BR 101. São
previstos seis eixos transversais: Sul; Sul Serrano; Centro Sul;
Centro Norte; Rio Doce; e Norte
Eixos Diagonais
Projeto de infra-estrutura viária composto por três rotas
diagonais ao território do Estado, para aumentar a integração
das regiões interiores com as regiões litorâneas, em especial
ao complexo portuário capixaba, por meio de ligações
diagonais ao eixo da BR 101. São previstos três eixos
diagonais: Sul; Centro; e Norte
Porto de Vitória
Adequar o Porto de Vitória à sua plena capacidade operacional,
eliminando suas restrições e ampliando sua infra-estrutura
Ferrovia Litorânea Sul
Variante da FCA, a Ferrovia Litorânea Sul, com 165 km, ligando
Flexal, em Cariacica, a Cachoeiro de Itapemirim, no Sul, com alça
ferroviária para o Porto de Ubu, em Anchieta. Vai suportar o
desenvolvimento do pólo siderúrgico de Anchieta e do pólo
industrial de Cachoeiro do Itapemirim, interligando-os à malha
da Vitória-Minas
Ampliação do Corredor Centro-Leste
Ampliação da capacidade instalada da via ferroviária que
interliga o estado à Região Centro-Oeste do país e à região
do quadrilátero ferrífero em Minas Gerais.
Gasoduto Sudeste Nordeste (Gasene)
Infra-estrutura dutoviária do estado, para transporte de gás
natural. Implantação do gasoduto de ligação de Cabiúnas
-RJ, a Catu -BA, com extensão de 1.190 km.
Ampliação do Aeroporto de Vitória
Ampliação do Aeroporto de Vitória, com a construção de novo
terminal de carga aérea (Teca) e novo terminal de passageiros .
Vai ampliar capacidade instalada do aeroporto de Vitória com a
construção de nova pista de pouso com 2.416 m e ampliação da
pista atual de 1.750 m para 2.050 m;
Centro de Desenvolvimento de Competências Logísticas
Entidade privada, sem fins lucrativos, destinada a apoiar o
desenvolvimento técnico e tecnológico das empresas do segmento
de Serviços Logísticos do Espírito Santo.